Metodologia e limites
A maioria das ferramentas de mapeamento comportamental publica só o que sabe fazer. Esta página publica também o que não faz. Cada instrumento tem um lastro científico diferente, e tratar todos como equivalentes seria desonesto com quem vai decidir sobre pessoas a partir deles.
O que o Electia não é
O Electia é um instrumento de mapeamento comportamental para gestão. Não constitui avaliação psicológica, teste psicológico, diagnóstico clínico ou laudo. Avaliação psicológica é atividade privativa de psicólogo registrado, regida pelo Conselho Federal de Psicologia, e nada nesta plataforma a substitui. Nenhum dos instrumentos aqui descritos é apresentado como teste psicológico com parecer favorável no SATEPSI.
Como lemos o lastro científico
Usamos três níveis. Eles não medem utilidade prática — medem quanta evidência empírica sustenta a estrutura do instrumento. Um instrumento interpretativo pode ser muito útil numa conversa de desenvolvimento e, ao mesmo tempo, impróprio como base de uma decisão de carreira.
- Alto
- Estrutura replicada em literatura psicométrica ampla e independente.
- Médio
- Tradição de uso consolidada, validação moderna parcial ou limitada.
- Interpretativo
- Sem consenso científico sobre a estrutura. Vale como linguagem, não como medida.
Os seis instrumentos
Estão ordenados por lastro científico, do maior para o menor — não por popularidade.
- Lastro alto
Big Five (OCEAN)
120 itens, escala Likert de 1 a 5
Ver a teoria completa →O que mede: Cinco traços dimensionais e independentes: Abertura, Conscienciosidade, Extroversão, Amabilidade e Estabilidade Emocional. Cada traço é lido como espectro, não como categoria.
O que não mede: Não produz um 'tipo' nem um score geral de personalidade. Não mede inteligência, competência técnica nem desempenho. Não prevê sucesso em um cargo específico.
Base: Estrutura derivada do IPIP-NEO, de domínio público, com a literatura psicométrica mais robusta e replicada entre os modelos de personalidade. É o modelo com maior consenso acadêmico contemporâneo.
- Lastro médio
DISC
24 grupos, escolha forçada (mais parecido / menos parecido)
Ver a teoria completa →O que mede: Preferências observáveis de comportamento em quatro dimensões — Dominância, Influência, Estabilidade e Conformidade — no contexto de trabalho.
O que não mede: Não é medida de personalidade e não é teste psicológico. Não mede capacidade, caráter, honestidade nem potencial. O formato de escolha forçada é ipsativo: compara as dimensões dentro da mesma pessoa, não entre pessoas diferentes.
Base: Longa tradição de uso organizacional desde Marston. Não consta no SATEPSI com parecer favorável e não deve ser apresentado como instrumento psicológico. Serve como linguagem comum de equipe e apoio a conversas de gestão.
- Lastro médio
Motivadores
10 tríades, ordenação por mais / menos
Ver a teoria completa →O que mede: Ordenação relativa de seis orientações de valor que dão sentido ao trabalho: Conhecimento, Utilitário, Estético, Social, Individualista e Tradicional.
O que não mede: Não mede intensidade absoluta de motivação nem compara uma pessoa com outra. Por ser ipsativo, é contraindicado para seleção e para qualquer decisão comparativa entre candidatos.
Base: Baseado na tipologia de valores de Eduard Spranger. Tradição clássica e utilidade prática reconhecida em desenvolvimento, com validação empírica moderna limitada.
- Lastro interpretativo
Tipologia Cognitiva
60 itens, escolha forçada entre dois polos
Ver a teoria completa →O que mede: Preferências declaradas de processamento de informação e de tomada de decisão, organizadas em quatro dicotomias.
O que não mede: Não mede habilidade cognitiva, QI nem competência. A classificação em tipos discretos é uma simplificação: preferências reais distribuem-se de forma contínua, e quem fica perto do meio de uma dicotomia pode mudar de tipo ao refazer.
Base: Derivada da tradição junguiana de tipos psicológicos. É o modelo mais popular e também um dos mais criticados na literatura, sobretudo quanto à estabilidade teste-reteste e à natureza dicotômica das escalas. Usamos o nome Tipologia Cognitiva, e não a marca comercial associada.
- Lastro interpretativo
Temperamentos
70 itens
Ver a teoria completa →O que mede: Padrão de reação em duas dimensões — velocidade e duração da resposta emocional —, compondo quatro temperamentos clássicos e suas misturas.
O que não mede: Não tem base biológica comprovada, apesar da origem humoral. Não mede maturidade, equilíbrio emocional nem saúde mental.
Base: Tradição de domínio público que remonta a Hipócrates e Galeno. Valor prático como vocabulário compartilhado sobre ritmo e reatividade; validação empírica moderna escassa.
- Lastro interpretativo
Eneagrama
45 itens, escala Likert de 1 a 5
Ver a teoria completa →O que mede: Nove padrões de motivação, medo central e comportamento sob pressão, com asas e centros.
O que não mede: Não é instrumento clínico nem diagnóstico. Não mede traços estáveis de personalidade no sentido psicométrico.
Base: Modelo de origem não acadêmica, sem consenso científico sobre sua estrutura. É o instrumento de menor lastro empírico do conjunto e nunca deve ser usado como critério único de qualquer decisão. Mantemos porque tem valor real de autoconhecimento e de linguagem, desde que lido nesses termos.
Como o resultado é calculado
O cálculo dos seis instrumentos é determinístico: as mesmas respostas produzem sempre o mesmo resultado, sem nenhuma chamada de inteligência artificial no meio. A IA entra depois, para ajudar a interpretar e a preparar conversas — nunca para produzir a pontuação.
Isso importa por dois motivos. O resultado é auditável: dá para refazer a conta. E é estável: duas leituras da mesma resposta não divergem porque um modelo generativo variou.
Os questionários usam itens originais redigidos em português brasileiro. Um resultado é a fotografia do momento em que a pessoa respondeu, não uma sentença sobre quem ela é. Refazer meses depois pode dar resultado diferente, e isso é esperado.
Saúde mental e bem-estar têm regra própria
Dado de saúde mental é dado pessoal sensível sob a LGPD e recebe tratamento separado de todo o resto da plataforma. O resultado de bem-estar nunca é individualizado para o gestor nem para o RH. A leitura é sempre por equipe ou por área, com grupo mínimo, de modo que nenhuma resposta seja rastreável a uma pessoa. O acesso a dado clínico individual é restrito a profissional de saúde habilitado.
O levantamento de fatores psicossociais serve como insumo para o PGR da empresa. Ele não substitui a análise técnica nem a responsabilidade do profissional de SST ou do psicólogo responsável, e por si só não constitui conformidade com a NR-1.
Para o que estes instrumentos nunca devem ser usados
- Critério eliminatório em processo seletivo
- Justificativa para demissão, advertência ou punição
- Diagnóstico clínico ou psicológico de qualquer natureza
- Classificação definitiva de alguém como um rótulo fixo
- Decisão automatizada tomada por IA sem revisão humana
A decisão sobre uma pessoa é sempre de um ser humano responsável por ela. O Electia organiza evidência e prepara a conversa. Quem decide é você — e a plataforma registra que foi você.